A imundice que me reveste por dentro
É um fardo sagrado que não ouso contrariar
É uma maldição que me dá prazer espalhar
Não perdoes a crueldade dos meus actos
Não lamentes a sorte que te ofereci
Viverás agora eternamente
No desejo escarlate fundido
Na imaculada carne profanada
Renegas teu destino
Amaldiçoas-me indefesa
Serás trilho, vestígio de mim
Alimentada pelo rasto do veneno
Que te percorre, e se escorre
Lutas para me expulsar de ti
Vãs tentativas que abandonarás
Sei que voltarás na espuma dos dias
Na ânsia do antídoto carnal,
Do placebo do desejo saciado

