segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Vírus

A imundice que me reveste por dentro
É um fardo sagrado que não ouso contrariar
É uma maldição que me dá prazer espalhar

Não perdoes a crueldade dos meus actos
Não lamentes a sorte que te ofereci

Viverás agora eternamente
No desejo escarlate fundido
Na imaculada carne profanada

Renegas teu destino
Amaldiçoas-me indefesa

Serás trilho, vestígio de mim
Alimentada pelo rasto do veneno
Que te percorre, e se escorre

Lutas para me expulsar de ti
Vãs tentativas que abandonarás

Sei que voltarás na espuma dos dias
Na ânsia do antídoto carnal,
Do placebo do desejo saciado

segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Noite de Bruxas

(escrito numa noite de Halloween)

Bruxas não acredito
Mas que existem, existem
Diz a sabedoria popular
Hoje é a noite do grito
Delas saírem e se divertirem
Será que alguma vem pra m’assustar?

Confesso que gostava
Nem que fosse só pra crer
Que afinal os sábios antigos
São gente de verdade acertada
E não dizem essas coisas por dizer
Só pra iludir os mais distraídos

Pelo sim, pelo não, hoje vou ficar alerta
E aguardarei no crepúsculo até ao amanhecer
Quero ter a prova de tanta ilusão
Deixarei a janela do meu quarto aberta
Na vã esperança de alguma aparecer
E me queira levar pró seu caldeirão.

Beijos são para ser roubados

Beijos são para ser roubados
Não quero beijos dados
Nem tão pouco como recados
Gosto deles ousados, tresloucados

Com sabor a paixão, a tesão
Com vontade de quero mais
Com terror, volúpia, sedução
Com tudo que os faz imortais

Quero lá saber da ternura,
Da meiguice e das amizades
Quero é beijos de luxúria
Sem olhar a credos ou a idades

Podem chamar-me de louco,
Pouco me importa, mesmo nada até
Quero é beijos que sabem a pouco
Que me levitam mesmo estando de pé

Podem dizer o que quiserem
Achar até sacrilégio ou pecado
Mas na verdade o que todos querem
É sentir no corpo este fogo ateado.

Foi assim tão difícil tu perceberes?

Tanta pista que te dei, não foi suficiente?
Não reparaste que estava lá sempre, todos os dias?
Quando chegavas e te ouvia calmo e paciente
Quando vinhas falar dele, não sentias?

Nas horas mortas dos dias que esqueceste
Contei as pontas dos cigarros, nos cinzeiros,
Entregue à indiferença que me ofereceste
Momentos aguardados, adiados dias inteiros

Não era óbvio que para mim não eras igual?
Disseste tantas vezes que para ti eu era diferente
Achavas mesmo que toda essa atenção era normal?

Dói tanto sentir-se assim, distante e indiferente
Viver a tua vida e sofrer como um animal
Não percebes que quem ama assim não mente?

Alucinação

Hoje, rasgo o meu peito
Arranco o naco negro
De carne pútrida e fétida
Que se tornou o meu coração

Entrego-to
Toma-o, é teu
Há muito que não me pertence
Que deixou de ser meu

Podes ficar surpresa
E achar-me até alucinado
Mas deixo-te uma certeza
Fizeste-me passar um mau bocado

Foram anos de insistência
De distância, de solidão
Não há mais paciência
Para tanta flagelação

Soubera eu no que me metia
E jamais olharia na tua direcção
Muito menos custoso seria
Afinal, não passaras de uma ilusão

Hoje, neste acto de contrição
Confesso, além da minha dor,
Todo o mal do meu coração
Pela ausência do teu amor.

Não te condeno, e nada te culpo
Nem tão pouco da indiferença
Sabia a altura do teu púlpito
Mas fazia fé na minha crença.

Tudo no meu mundo se alterou
Mas é hora de bater com a porta
Se pensas ainda quem eu sou
Digo-te… agora já não importa

Para além deste momento
Resta-me saber que sobrevivo
Se de novo alcançar o firmamento
Talvez um dia clame… Afinal estou vivo!

Mulheres

Mulheres, por todas elas o meu respeito.
Desde os tempos mais ancestrais,
Motivo de guerras e duelos fidagais,
Ora por honra, ciúme ou despeito.

Mães protectoras e carinhosas,
Irmãs cúmplices e inseparáveis,
Amigas únicas e confiáveis,
Amantes apaixonadas e fogosas.

Todas me fascinam e assustam,
Todas amo e venero,
Todas quero que me entendam.

Porque o amor que quero,
Que uns sentem e outros desejam,
Continuo a procurar sem desespero.

sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

This Mortal Peace...

My body lies…

Numb, defeated
And with no will
Seeking for your call


My soul remains…

Tired of loosing
All this raging battles
With my own


And I wonder…

Where are you?
When can we finally meet?
How does it feel?


Your sweet embrace.